Sergio Merli fala sobre literatura, infância e experiências para além das telas
O lançamento de A Coruja, o Urso e o Celular foi um momento especial na Escola Terra Terrinha. Diante de crianças, famílias e educadores, o escritor e ilustrador Sergio Merli apresentou uma obra que convida leitores de diferentes idades a observar, imaginar e refletir sobre a relação com as telas.
Em entrevista, o autor fala sobre a importância de lançar um livro em uma escola, a relação da literatura com a infância, o contato próximo com as crianças e as famílias e as experiências que ajudam a ampliar o olhar para além das telas.
Literatura como encontro e experiência

"Para um autor, a chegada de um novo livro é sempre um momento especial. Quando esse lançamento acontece em uma escola, cercado por crianças, educadores e famílias, ele ganha um significado ainda maior. É a oportunidade de ver a obra encontrar seus primeiros leitores e de transformar a leitura em uma experiência de troca, conversa e descoberta", conta Sergio Merli.
"O lançamento de A Coruja, o Urso e o Celular foi um encontro muito proveitoso, que despertou boas conversas entre alunos, educadores e famílias sobre um tema tão presente no cotidiano de todos nós."
Sobre a relação entre literatura e infância, o autor destaca que a literatura cria espaços de imaginação, escuta e troca. "Quando converso com as crianças, percebo que cada uma se relaciona com a história de uma maneira diferente. Suas perguntas, interpretações e comentários mostram como a leitura pode estimular a curiosidade e ampliar a forma de observar o mundo."
Um livro para observar e conversar

Construído apenas com imagens, o livro convida o leitor a participar da construção da narrativa. "Cada pessoa observa detalhes diferentes, interpreta as cenas a partir de suas próprias experiências e, muitas vezes, percebe elementos que passaram despercebidos por outros leitores. Essa participação torna a leitura mais ativa e muito rica", explica.
"Espero que A Coruja, o Urso e o Celular estimule conversas sobre nossos hábitos com as tecnologias digitais, sem transformar o celular em um vilão. A intenção é que leitores de diferentes idades possam observar as escolhas feitas pelos personagens, comparar suas atitudes e refletir sobre como usamos esses recursos em nosso dia a dia."
Sobre o título, o autor conta que ele surgiu durante o desenvolvimento da narrativa visual. "A coruja e o urso foram ganhando personalidade ao longo do processo, e o celular acabou se tornando o terceiro elemento indispensável do título, porque representa o tema que aproxima e, ao mesmo tempo, diferencia os dois personagens."

Ao ser perguntado sobre qual reflexão espera que permaneça depois que o leitor fechar o livro, Sergio responde: "Gostaria que o leitor fechasse o livro se perguntando: 'Como é a minha relação com o celular e com as outras telas?' Não espero que todos cheguem à mesma conclusão. Meu desejo é apenas que essa pergunta continue acompanhando o leitor e gere boas conversas em casa, na escola e entre amigos."
"A literatura nem sempre existe para oferecer respostas. Muitas vezes, ela nos ajuda a fazer perguntas melhores. Se o livro conseguir despertar essa reflexão de maneira leve, sensível e sem julgamentos, acredito que ele terá cumprido seu papel."
Na Escola Terra Terrinha, o encontro com Sergio Merli reforçou que a literatura pode abrir espaço para a imaginação, a conversa e a reflexão. Uma experiência construída com presença, afeto e participação, para além das telas.
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